25 novembro 2006


“Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
Seria mais feliz um momento…
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural…

Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva…

O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de [que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica…
Assim é e assim seja…

Fernando Pessoa (poemas de Alberto Caeiro)

1 comentário:

Rui Valdiviesso disse...

Caeiro é um bom simples! Viva Caeiro. Ele comia os outros heterónimos de cebolada. Já agora, minha cara, quando vier ao Porto, apareça e ouça Shine on You Crazy Diamond em minha casa. Em vinil, claro!
Abraço!